Li recentemente na Folha de São Paulo um artigo, o qual achei bastante interessante e curioso, sobre novos costumes de pessoas que realmente fazem conceitos mundo a fora.

Antigamente, viajar para Paris, ter criados para servir à mesa e ainda gastar uma fortuna em carros esportivos, mansões neoclássicas e caviar, sempre estiveram nos hábitos de consumo de gente com muito dinheiro. Mas esta atitude pode está com seus dias contados.

Um novo perfil de milionários da Europa e dos EUA, está revolucionando os costumes e elegendo novos símbolos de status social. E esta tendência está chegando ao Brasil.

Não se trata apenas de uma troca de um objeto de desejo. Os novos hábitos colocam em xeque todos os valores da antiga burguesia, transformando em brega tudo aquilo que já foi bem chique. Segundo a nova filosofia o que está em vigor é ser diferente, muito bem informado, gastar dinheiro com coisas úteis, comprar objetos usados, e viajar para lugares exóticos.

Os marqueteiros já estão de olho neste novo mercado. São pessoas com muito dinheiro, excelente currículo acadêmico e profissional e com forte personalidade. São também, pessoas milionárias que condenam o luxo excessivo e a ostentação, mas não economizam na hora de equipar sua cozinha com o que existe de mais moderno em utensílios domésticos. Chique é, gastar o mesmo valor de um relógio Bulgari numa faca de porcelana, que será utilizada para preparar um sushi/sashimi durante um jantar em casa com os amigos.

Se for para gastar, que seja então com objetos que serão utilizados de fato, como um cortador de grama de última geração, ou um abridor de garrafa de um designer famoso. Gastar com caviar ou outro produto consumido pela antiga elite é sinônimo de mau gosto. Mais bacana é pagar caro (e muito caro) por produtos que sempre foram vendidos a preço de banana, mas que ganharam valor por serem orgânicos, naturais ou macrobióticos.

Elegante, também, é consumir produtos culturais como cinema e teatro. Fino não é aquele que viaja para um resort cinco estrelas na Bahia ou no México, mas quem hospeda numa pousadinha bem personalizada, como a Pousada Encontro das Águas em Araguatins, cheia de charme e bom gosto, unindo o rústico ao sofisticado/aconchegante, servindo um jantarzinho ZEN, tudo feito na hora, dispondo ao cliente um clima de magia. A Feira Literária de Parati e o Festival de Teatro de Curitiba estão no roteiro dos costumes adotados pelos novos milionários.

As lojas de produtos como bolsas indianas, sandálias de couro, jeans que às vezes chegam a custar mais de mil reais, estão em seus caminhos. Mas ninguém precisa saber disso, o motivo é o caimento perfeito dos objetos, combinado com conforto, o que difere visivelmente de jeans barato/nacional.

Essa nova safra são consumidores compulsivos de livros (novos ou usados) e se orgulham de mostrar aos amigos a biblioteca de casa, com aparência de sebo e decorada com sofá em pé palito. As livrarias e os cafés são os templos destes novos consumidores. Apesar do cigarro está fora de moda entre eles, o café está em alta. E não vale qualquer café. Os estabelecimentos precisam oferecer pelo menos cinquenta tipos dos mais variados “blends”.

Mesmo a grande maioria estarem centrados em metrópoles (geralmente em bairros que voltaram a se valorizar recentemente e que tem enorme vida cultural e boêmia) esses novos chiques gostam mesmo é de passar os fins de semana junto à natureza. Esportes como a natação e futebol estão em baixa, ao passo que rafting, hipismo, trilhas, pesca esportivas, surfe e ciclismo estão na moda. Por este motivo é comum você ver em cidade como Paris, New York, Londres, São Paulo etc., as lojas de esporte, direcionadas a estes setores, altamente sofisticadas, chegando a custar seus produtos uma verdadeira fortuna.

Tudo isso pode parecer uma grande futilidade, mas as empresas em volta do mundo estão atentas aos padrões de consumo deste grupo. São eles que ditam a moda hoje em dia e que gastam muito para permanecer dentro dela. Trata-se de um perfil de consumidores bastante exigentes, muito bem informados e com enorme senso crítico. Será que você é um deles?